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Quarta Colônia Italiana do RS

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

OS ENCONTROS DA FAMÍLIA RORATO

Descendentes de Ângelo Rorato e Maria Gotardo Rorato se reúnem no sul do Brasil. Já foram realizados dois encontros dos descendentes de Ângelo e Maria Gotardo Rorato. Os encontros aconteceram por iniciativa de pessoas como Paulo Roberto Rorato de Santa Maria e Adagir Celestino Rorato de Faxinal do Soturno, que foram incansáveis na organização destes. Os encontros foram organizados com objetivo dos parentes se conheceram recordar o passado, manter via a tradição italiana, os usos e costumes trazidos pelos nossos antepassados, através da conversa e da cantoria, dos jogos de mora, baralho, entre outros e conhecer novos parentes e estabelecer grandes e duradouras amizades.

O primeiro encontroEste aconteceu no dia 20 de agosto do ano 2.000. O local escolhido foi Vale Vêneto, por ser lá o berço dos Rorato, no sul do Brasil. A festividade iniciou às 8 horas, com a identificação dos descendentes presentes. Às 10 horas, houve missa celebrada pelos padres palotinos Clementino Marcuzzo e os irmãos Lauro Trevisan e Vítor Trevisan, descendentes da família. Durante o sermão o Padre Lauro fez um grande relato sobre a viagem dos imigrantes até chegar ao vale. A missa foi acompanhada nos cantos pelo Coral Santa Cecília, comandado pelo maestro José Paulo Rorato. Fazem parte deste coral Adagir C. Rorato e sua esposa Nilva Zanini Rorato. Foi uma missa inesquecível. No final, todos de mãos dadas cantavam a música considerada um hino aos imigrantes “Mérica, Mérica, Mérica...” e se abraçaram. Ao meio dia foi servido um almoço à italiana, para mais de 300 participantes. Durante o resto da tarde houve confraternização, a identificação do grau de parentesco entre os presentes através da conversa e muita diversão.
O segundo encontroFoi no ano de 2.001, no dia 13 de outubro. Às 10 horas houve uma celebração de missa pelos padres palotinos Ilvo Roratto e Vítor Trevisan, na Igreja Corpus Christi de Vale Vêneto. Auxiliaram na missa com as leituras os irmãos A. G. Rorato e Lucina Maria Rorato. Os cantos foram acompanhados pelo Coral Santa Cecília de Faxinal do Soturno, dirigido pelo maestro José Paulo Rorato. Após todos se dirigiram ao Salão Paroquial para a identificação e almoço. Nele foi servido, bife à milaneza, galeto, rizoto, pão e cuca, e saladas. Das 15 horas às 19 horas houve um show-baile com Kiko Lemos de Santa Maria, que animou a festa divertindo os presentes. À noite houve um jantar à italiana para os que lá ainda permanecia. O cardápio era sopa de agnolini, pão e cuca e salada. Neste encontro não houve uma participação grande como no anterior. O padre Ilvo Roratto, foi sábio em falar, durante o sermão da missa, referindo-se ao número de pessoas, comparando com o encontro anterior: “são em menor número, mas os peixes que estão aí, são graúdos e fortes”, é claro, com capacidade de bem representar e compensar os ausentes.

Comunidade de Esquina Londero

Em busca de oportunidades um grupo de descendentes de italianos deixa a 4ª Colônia e se embrenham na mata próximo ao Rio Uruguai na divisa com a Argentina.
Na década de 1930, um brasileiro de nome Itálico Londero, adquiriu uma gleba de terras na vizinha República Argentina, na Província de Missiones, para a exploração de madeiras.
Londero era natural de Santa Maria. Instalou s
errarias e beneficiadeiras de madeira na costa do rio Uruguai. Reuniu para isso, um grande número de trabalhadores, formando pequenas povoações, dos quais a maioria eram de brasileiros.

A única via de transporte para essa população era o rio Uruguai A povoação ali formada passou a chamar-se Londero, devido ao nome do proprietário da gleba e das indústrias.
Na década de 1940, famílias dos municípios de Cachoeira do Sul e de Santa Maria entre outros, vieram estabelecer-se na costa do rio Uruguai, e
m terras brasileiras, em frente ao referido Londero, no então município de Santa Rosa.
De início foi aberto um porto na costa brasile
ira para facilitar as relações entre os dois núcleos de povoação, pois, grandes partes dos provimentos, para os moradores da Argentina, eram feitas no Brasil. Este porto passou a chamar-se Porto Londero, do lado brasileiro e Puerto Londero do lado argentino.
Mais tarde, com a vinda de novas famílias a povoação brasileira foi aumentando. Foram abertas estradas e as moradias aumentavam em
número.

Primeira igreja católica inaugurada em 1949, cuja primeira cristã batizada foi Lucina M. Rorato.
Pensou-se logo na educação e formação dos filhos. Assim era necessária a construção de uma escola para o atendimento do ensino às crianças. A idéia foi lançada e logo a obra foi atacada.
O lugar par a escola foi escolhido uma localidade mais central, acessível a maioria da população, distante a 4 quilômetros do porto. Ao redor da escola, que serviu de igreja por muito tempo, instalaram-se diversas famílias, formando uma peq
uena e próspera população que passou a chamar-se esquina Londero. Foi primeiro Professor o Senhor Aurélio Nogara, pessoa da própria comunidade que possuía maiores formações.
Havendo ali um entroncamento de estradas, passou
a chamar-se Esquina Londero, que se localiza no interior de Dr. Maurício Cardoso, à margem esquerda do Rio Uruguai, aproximadamente 10 quilômetros da. Na época de fundação pertencia a Santa Rosa. A partir de 1954, ao município de Horizontina. A partir de 1988, com a emancipação de Dr. Maurício Cardoso, pertence a este município.
As primeiras famílias colonizadoras chegaram na década de 40, de origem italiana, provindos das localidades de Vale Vêneto, Ribeirão, São João do Polêsine, Val Fetrina, Val Veronês e Val de Buia, na 4ª Colônia. Na verdade eram filhos e neto
s de imigrantes que com a formação de novas famílias não havia mais espaço naquelas comunidades. Com o surgimento da Colonização de Santa Rosa, com novas terras, para cá vieram e se estabeleceram para dar uma condição melhor de sobrevivência e futuro para seus filhos. Eram famílias com grande número de filhos.
As famílias de descendentes de italianos vindas da 4ª Colônia eram: os Chiapinotto, Dotto, Ferrari, Bolzan, Foletto, Pivetta, Rorato, Guarienti, Cremonese, Zanini, Nardi, Nogara, Bortolin, Desconsi, Rossarola, Vicentini, Tonel, Michelotti, So
mavilla e Pozzobon. Depois vieram famílias italianas e de outras etnias.





Em primeiro plano, onde a família de Atanásio se estabeleceu e fixou sua morada por 45 anos. Hoje resta somente a lavoura. Ao fundo a localidade de Esquina Londero.



Comunidade de Esquina Londero

Casa Comercial da localidade que teve seu auge nas décadas de 50 e 60

Rorato - Em 1949, Atanásio Rorato transferiu residência de Vale Vêneto, para a Esquina Londero, onde adquiriu uma propriedade rural de 12 hectares. Naquela época a comunicação e os meios de transporte eram muitos difíceis. Encontrava-se muito pouco com os familiares, apenas em casamentos ou em caso de morte de familiar. Certa vez ficou 20 anos em ver seu irmão Luís, que morava na época em Manoel Viana. Encontraram-se no enterro da mãe Eliza. Desbravando muito mato no início e desenvolvendo atividades agrícolas até sua aposentadoria e onde criaram seus cinco filhos, todos lá nascidos. Sempre foi membro ativo na comunidade religiosa e escolar. Após ter criado, educado e encaminhado os filhos para a vida através dos estudos, mudou-se no ano de 1985 para a cidade de Santa Rosa, onde permaneceu até o final de sua vida.
Atanásio Rorato nasceu em 19 de setembro de 1920 em Vale Vêneto. Casou no dia 23 de agosto de 1947, com Clotilde Maria Dotto, nascida em 5 de maio de 1923, na Linha da Glória. O casamento civil ocorreu no cartório de Silveira Martins e o religioso na Igreja Corpus Christi de Vale Vêneto. Clotilde é filha de Ângelo Bráz Dotto e Marcelina Iop.

Professora Lucina M. Rorato - nasceu na comunidade, estudou e se tornou professora. Foi uma grande líder na juventude, coordenado vários projetos, enquanto lá residiu.

Comunidades de Santo Antonio e São Caetano

Três de Maio - RS., também abrigou filhos de imigrantes da família Rorato.

Os filhos dos imigrantes Benjamin Rorato e Maria Bordignon, Eugênio, Alexandre João, Eugênio, Olinto, filhos de naturais de Três Vendas, Restinga Seca, na 4ª Colônia, emigraram para as terras vermelhas e férteis de Santa Rosa, hoje Três de Maio, no distrito de Consolata, no início da década de 40, nas comunidades de Santo Antônio e Paulo, Ida e Tereza em São Caetano, na esperança de uma vida melhor, onde se fixaram e formaram sua descendência. Dedicavam-se a agricultura com muito trabalho e abnegação. Gostavam do que faziam.

Também se estabeleceram nas redondezas, os filhos de Federico Rorato e Henriqueta Casarotto: Olímpio, Ottília e Aldo. Muitos descendentes deixaram, amigos e familiares próximos e foram buscar novas terras nos estados de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso, pois as famílias cresciam e os espaços para a agricultura diminuindo, obrigando a imigração para estes estados, além de cidades da região. Mesmo assim, existe um grande número de famílias que permaneceram.
Santo Antônio e São Caetano são pequenas comunidades, mas grandes na sua atuação dentro do município de Três de Maio, gerando muita riqueza na área da agricultura, produzindo soja, trigo, milho e leite.

O povoado Santo Antonio realiza anualmente no mês de junho a festa de seu padroeiro, que empresta o nome para a localidade, onde os moradores daquela região reúnem-se e festejam seu padroeiro. Comunidade com muita fé e religiosidade, calcada nos princípios morais e cristãos herdados dos antepassados.
Foto acima: Capela do Povoado Santo Antônio. Foto abaixo: Capela de São Caetano-Três de Maio-RS.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O ONIBUS DO RORATO

O velho ônibus fazia o trajeto até Santa Maria e carregava de tudo.



O ônibus da foto (castigada pelo tempo), pertenceu ao Sr. Aldo Rorato. Fotografado por Ângelo Braz Dotto, em 22 de junho de 1938, quando levava convidados de Vale Vêneto para Val Varonês, na festa de casamento de Ângelo Perobelli e Tereza Dotto. Após uma forte chuva que ocasionou uma enchente, a estrada virou um lamaçal. Nota-se que os rodados traseiros estão acorrentados, mas mesmo assim atolou. As correntes que contornavam os rodados era uma forma de se garantir no leito da estrada, os rodados não patinar e derrapar. Precisou a força humana para prosseguir viagem. A foto pertence à Clotilde Dotto Rorato, filha do fotógrafo. Quando nos cedeu esta foto, apesar de sua idade de 85 anos, nos relatou o fato. Algumas pessoas são lembradas e identificadas por ela na foto, como Rafael Possati, que está sentado na parte lateral do ônibus e a senhora a sua frente é Rita Bortoluzzi. Este ônibus transportava passageiros para a região de Santa Maria e vice-versa. Era o melhor meio de transporte da época. Além das pessoas, chegava a transportar pequenos animais e produtos agrícolas para serem comercializados na cidade e de lá traziam mantimentos para o sustento das famílias.
Concórdio Genuíno Dotto, em sua Obra Meu Caminho de Ser Gente Entre a Gente..., menciona e descreve sobre o ônibus de Aldo Rorato. Diz o seguinte: Os fardos de fumo eram carregados em carretas ou no velho ônibus de Aldo Rorato, levado ao Porto Macaco, no Jacuí, a dez ou doze quilômetros de distância, para leste... Num capítulo posterior, comenta mais: Os de perto já haviam saído e só restavam os de mais longe, que dependiam do ônibus. Na época, só havia ônibus para a cidade (Santa Maria) três vezes por semana, as segundas, as quintas e aos sábados...
Também servia para o transporte do correio de Vale Vêneto para Santa Maria, viagem, que Domingos José Rorato, funcionário do Correio, fazia quase que cotidianamente, que antes de aparecer este ônibus, fazia o trajeto a cavalo.

No livro "La America dei sogni - um povo, uma história, uma conquista", o autor Nelson Bolzan ,escreve mais sobre o ônibus do Aldo Rorato. Destaca que dois ônibus o faziam lembrar na memória: o de David Pavesi e o de Aldo Rorato. Sobre este último, relata: " o ônibus do Sr. Aldo Rorato passava em frente à nossa casa, quando moravamos em Polêsine. Este senhor e seu veículo por longos anos, partiram de São João do Polêsine. Antes de clarear o dia, passava por Ribeirão, Vale Vêneto, subir o morro da gruta até Silveira Martins para descer a Santa Maria. Diariamente, o ônibus de bancos compridos e sem corredor, ia e vinha de Santa Maria com encomendas e passageiros. As estradas eram ruins, com subidas e descidas, pedras, poeira e barro. Mas o esforço do proprietário vencia qualquer obstáculo, muitas vezes com a colaboração dos passageiros a empurrar o carro, trocar pneus e carregar e descarregar bagagens que eram acomodadas em cima, na grade de bagageiros. Naquele tmpo era o único jeito de viajar um pouco mais longe. Raríssimos eram os automóveis e nos casos de doença, o ônibus parecia um presente caído do céu. Ir à cidade se revestia em acontecimento do ano, ou da vida, para a maioria daquele povo simples e trabalhador."

O RINCÃO DOS RORATTO

Comunidade localiza-se próximo a cidade de Santo Ângelo-RS.

O Rincão dos Rorattos, foi fundado pelo agricultor Sr. Fernando Feliciano Roratto.
Casou com a Sra. Diona Ângela Cossettin em São Valentin (Ijuí). Delá se deslocou para Barra São João e depois Comandaí, em Santo Ângelo, na década de 40. Filhos do casal Fernando Roratto: Vitélio, Cecília, Marino, Henrique, Amantino, Alfredo, Matilde, Clementina, Ésther Terezinha e Antônio. Fernando nasceu em São Rafael (Tres Vendas) na 4ª Colônia, em 18.10.1908 e faleceu no rincão onde está sepultado no dia 08.08.1973.

Muitos ainda permaneceram, mas outros deixaram o rincão e se estabeleceram em outras municípios do RS e até em outros estados.
A família Roratto muito tem feito pela comunidade, sendo todos os cidadãos conceituados e trabalhadores. São pessoas de atividades constantes, tudo tem feito pelo progresso da mesma.
Rincão dos Roratto pertence à região das Missões, município de Santo Ângelo, próximo do limite com o município de Giruá, no entroncamento da RST 344 (que liga Entre-Ijuís-Santo Ângelo-Giruá-Santa Rosa-Porto Mauá) com a rodovia BR 392, que vai a Cerro Largo, aproximadamente 300 metros do trevo, por estrada ensaibrada. Na vila a via principal esta calçada. Distante 10 km de da sede municipal, 20 km de Giruá e 40 km de Santa Rosa. Uma das referencia do local também é o Rio Comandai, no qual na
s proximidades há uma bela cascata e um bonito balneário. Este mesmo rio divide os municípios de Santo Ângelo com Giruá.

Vila pacata, ordeira, cujos moradores quase na totalidade são descendentes do fundador Fernando F. Roratto (filhos, netos e bisnetos). No local após sua fundação foi construída uma capela, um clube com amplo salão de festas e uma escola mantida pela municipalidade e comunidade.
O comércio local gira e torno do agro negócio. O relevo é quase plano com ondulações nas proximidades do Rio Comandai. O solo de coloração vermelha e fértil, bom para o cultivo de cereais como a soja, o milho e o trigo. No local possuía uma serraria, de Henrique Roratto, que outrora desempenhava um papel importante no desenvolvimento da comunidade.


Família do fundador do Rincão - Fernando Roratto


Placa indicativa da localidade na ERS 344.



Rincão dos Roratos é um dos quatorze distritos rurais do município brasileiro de Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul. Situa-se ao norte da cidade.
Limita-se com os distritos de Comandaí, Sossego, Restinga Seca e Cristo Rei, com o perímetro urbano e com o município de Giruá.
A comunidade foi fundada na
década de 1950. No início da colonização, a produção para comércio era inexistente. A lavoura era só de subsistência. Platava-se milho, mandioca, feijão e abóbora. A partir de 1960, começara a plantar alfafa, trigo e soja
para comercializar.
O distrito foi reconhecido oficialmente através da Lei Municipal nº 1636, de
12 de abril de 1993.
Possui uma escola de
ensino fundamental e uma capela.

Cursos d'água: Arroio São José e Rio Comandaí
Referências
FREITAS, Délcio Possebon de, et al. Um olhar sobre os aspectos históricos e geográficos de Santo Ângelo. EdiURI, 2005.
Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rinc%C3%A3o_dos_Roratos

domingo, 5 de outubro de 2008

Ruínas do moinho e o casarão dos Roratto

Ruínas do velho moinho ainda permanecem no meio da mata e o velho casarão dos Roratto ainda resiste teimosamente ao tempo, em Ribeirão.

Férias de 2007. Partimos para uma viajem. Parte desta viagem foi a busca de nossas origens. Em Ribeirão, uma localidade de descendentes italianos, em São João do Polesine, Quarta Colônia Italiana-RS, encontramos o Casarão dos Rorato e as ruínas de um velho moinho que pertenceu à família. Para chegar ao local, deixamos a estrada asfaltada, a poucos quilômetros antes de chegar à cidade, para quem vem de Vale Veneto, e seguindo poucos metros de chão arenoso, atravessamos uma pequena ponte. Logo à esquerda nos embrenhamos no mato para encontrar as ruínas de um velho moinho que ali existia construído por imigrantes da família Rorato – os irmãos Isaco e Giovanni Battista.
A construção foi levantada com pedras da região unidas com argila retirada do local. O acabamento era com areia e cal. Ainda há vestígios nas paredes.
O moinho pertencia a Isaco e Giovanni. Segundo informações de moradores antigos, o primeiro residia com a família numa casa próxima ao m
 oinho e o segundo, num casarão poucos metros acima.
Tempo mais tarde por decisão conjunta a sociedade foi desfeita e cada um foi para seu lado.



Para chegar ao local do moinho, tivemos a companhia de Celestino Dotto e de um primo seu. Ambos iam à frente, com um facão e abriam uma picada na mata para os que vinham atrás; eu, minha esposa Neusa, meus filhos Otávio Augusto e Gustavo Henrique, mais minha irmã Veronice. Nos movimentávamos com muita atenção, evitando aranhões com espinhos das unhas de gato, e de ferroadas e picadas de animais.
Após percorrer mais ou menos cem metros na mata, lá encontramos o que desejávamos. Vestígios e ruínas do velho moinho. Moinho que transformava os grão produzido pelos imigrantes e seus familiares em farinha que na cozinha era transformada em principalmente o fabrico da polenta, um dos principais alimentos das famílias, e
que dava sustentação ao braço forte, para executar as atividades de trabalho.
Restos de paredes do moinho sobrevivem teimosamente ao tempo, mesmo prejudicadas pelas intempéries, pela umidade do local, pela vegetação que se hospeda nas paredes e plantas que se desenvolvem, sombreiam e com suas raízes levantam as muradas que ainda resistem.
Logo acima o casarão do irmão, que vemos na foto acima. Este ainda resiste ao tempo, a mais ou menos um século, mesmo sem a conservação devida. Hoje a propriedade pertence à família Dotto, e o velho casarão serve de depósito e paiol. Lá ainda se encontram as pipas que o imigrante Giovani Battista fazia se vinho, conservado pela família. Alguns detalhes de construção como a estrutura do telhado, as paredes, as aberturas, a escadaria interna que liga ao andar posterior, em fim podem ainda serem vistos.

Um dos moradores do local, o velho, sábio e experiente Luís Pedro Dotto, com seus 94 anos de idade, de memória fantástica apesar da idade, nos prestou importantes informações sobre o moinho e o casarão dos Rorato.
(Fotos Arquivo Pessoal: acima foto ruínas do moinho e mais abaixo foto do moinho e do casarão.)


Mais imagens fotográficas: Ruínas do moinho



Mais imagens do antigo casarão:


A IMIGRAÇÃO INTERNA

Descendentes continuam com o espírito dos imigrantes e se deslocam pelo território brasileiro, na busca de oportunidades.
Os Rorato do sul
- Embora que na Itália o sobrenome é pouco difundido, no Brasil aconteceu o contrário. Há uma difusão muito grande da família que carregam o sobrenome Rorato, e um número muito grande também que levam outros sobrenomes, mas que tem em seu sangue um grau de parentesco. Mulheres casam passam a assinar com o sobrenome do marido, e assim acaba desaparecendo o sobrenome de origem, mas não deixa de ter a sua descendência. Há pelo menos 15 estados possuem descendentes dos Rorato, sendo os mais, por ordem: SP, RS, PR e SC. São Paulo e Rio Grande do Sul foram os dois estados brasileiros que receberam imigrantes com o sobrenome Rorato. Os outros estados que hoje fazem parte desta família foi resultado de uma imigração interna.
Rio Grande do Sul - Com o aumento da população foram diminuindo os espaços. As famílias foram em busca de novas terras com perspectivas que dessem sobrevivência e futuro para seus filhos. Os descendentes mantiveram em sua carga genética o espírito desbravador do imigrante, agora no Brasil. Várias famílias nos anos 1940/50 deixaram a 4ª Colônia e seguiram para a região de Santa Rosa, Santo Ângelo, e Ijuí, em busca de uma nova afirmação para a sua atividade. Lá encontraram mato e terra vermelha fértil, que produzia de tudo. Em Santo Ângelo fundaram o Rincão dos Roratto.
Na região central do estado é que permanece a maior concentração. Isso, em função de lá se localizar o ponto de chegada dos imigrantes. Santa Maria, São Pedro do Sul, Faxinal do Soturno, Vale Vêneto e Silveira Martins, estas são as localidades, que pode ser encontrados um grande número de pessoas da família.
Também muitos foram para Passo Fundo, Serra gaúcha, Sapiranga e Porto Alegre.
No Rio Grande do Sul encontramos descendentes dos imigrantes da família em Bagé, Bento Gonçalves, Campo Bom, Cambará do Sul, Canela, Candiota, Capão da Canoa, Catuípe,Caxias do Sul, Esteio, Faxinal do Soturno, Giruá, Horizontina, Hulha Negra, Ijuí, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Pejuçara, Pelotas, Porto Alegre, Restinga Seca, Santa Maria, Santa Rosa, Santiago, Santo Ângelo , Santa Cruz do Sul, São João do Polêsine, São Luiz Gonzaga, São Marcos, São Martinho da Serra, Sapiranga, São Pedro do Sul, Silveira Martins, Três de Maio e Tucunduva.




Santa Catarina - Nos anos 60 e 70 do século passado, muitos descendentes da 4ª Colônia, Santa Rosa, Ijuí e Santo Ângelo, emigraram para outros estados como Paraná e Mato Grosso.
Ainda vindos da Quarta Colônia e se estabeleceram em SC, principalmente em Concórdia e Chapecó. Num número menor destacamos as cidades de Balneário Camboriú, Belmonte, Criciúma, Florianópolis, Forquilhinha, Jaraguá do Sul, Joinville e Taió.
Paraná – Nesse estado, um grupo numeroso de famílias descendentes existe neste estado e avançam fronteiras pelo país.
Muitos deixaram o RS para novos locais de trabalho em outros estados, principalmente no oeste paranaense – Foz do Iguaçu. Saíram cedo (1927) deixando o solo gaúcho e se tornando paranaense por adoção, onde os descendentes contribuíram muito para o desenvolvimento da região. No Paraná, principalmente no oeste como Foz do Iguaçu, Maringá, Londrina e na Capital Curitiba, onde está a maior concentração. Além destas cidades podemos em Céu Azul, Dois Vizinhos, Guarapuava, Araruna, Curitiba, Foz do Iguaçu, Cascavel, Goioerê, Maringá, Jardim Alegre, Campo Mourão, Braganey, Santa Helena, Sertanópolis, São José dos Pinhais, Londrina, Marialva, Toledo, Santa Cecília do Pavão, Santa Terezinha do Itaipu, Guaraniaçu e Medianeira, que vieram do RS e SP. Em 6 de junho de 2004, obtive com Márcia: Quanto às informações a respeito do meu bisavô Ângelo, provavelmente ele compunha aquele grupo que você descreveu, pois ele nasceu em 1853 e casou-se em 19/12/1875. O Angelo que você cita tinha 33 anos quando desembarcou em 1887, acompanhado de Antônia Calegher Rorato (37). Minha bisavó se chamava, na verdade, Rachele Callegher Rorato e era quatro anos mais jovem que ele (ao menos na certidão de casamento, na Itália, já na certidão de óbito, no Brasil, aparece a diferença de 4 anos realmente), era filha de Luigi Callegher e Marina Olivo Callegher. A tataravó (mãe de Angelo) se chamava Regina Cancellier Rorato, que provavelmente acompanhou os filhos ao Brasil, já o tataravô chamava-se Giovanni Battista Rorato.
Quando visitei a Hospedaria dos Imigrantes em SP, o acervo estava recém informatizado e o único Rorato que descobri foi Domenico Rorato registrado no livro de número 10, página 230 como agricultor. Ele desembarcou em Santos no dia 10 ou 18/04/88, provavelmente integrante do 3º grupo da família. Viajou no vapor La France, junto aos parentes: o irmão Gerolamo de 54 anos e a cunhada Elisabetta de 53 anos, a irmã Luigia (46 anos) e o cunhado Angelo Montagner (56 anos) e os sobrinhos Fortunato (18a), Teresa (16a), Basilio (16a), Tranquillo (12a), Giovanna (10a), Ernesta (07a). Espero que as informações ainda possam ser úteis. Um abraço a você e a sua família.

Célio Aparecido , enviou-me o seguinte e-meil: Moro em Londrina/Pr, trabalho na Universidade Estadual de Londrina e li sua mensagem no site procurando por possíveis parentes. Meu nome é Célio Aparecido Rorato.Meu pai é Pedro Rorato, meu avô Máximo Rorato e meu bisavô Jácomo Rorato, segundo meu pai este último veio da Itália com mais 3 irmãos. Um abraço e boa sorte. Célio 11 de janeiro de 2005.
A maioria dos Rorato dedica-se as atividades da agricultura, mas também um bom número tem atividades na indústria, comércio e serviços. Muito empreendedores montaram o seu próprio negócio com sucessoe muitos em cargos políticos com brilhante trabalho.
Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul - Outros estados, com um percentual menor de pessoas que para lá imigraram em busca de novas oportunidades. No Mato Grosso em Água Boa, Caarapó, Cuiabá, Garça, Lucas do Rio Verde, Rondonópolis, Tangará da Serra. No Mato Grosso do Sul: Dourados, Campo Grande, Jardim, Naviraí, Rio Brilhante e Sinop, No Espírito Santo: em Viana e Vila Velha. No Distrito Federal em Brasília, Cristalina e Taguatinga.
Outros Estados - No Ceará em Icaraí e Fortaleza. Na Bahia na Capital Salvador e Ilhéus. No estado de Goiás, em Anápolis, Catalã e Goiânia. Em Belém, no Pará, Rio Grande do Norte, na cidade do Rio de Janeiro.
Os Rorato de São Paulo - É o estado que tem uma concentração maior de pessoas com sobrenome Rorato, em função de que a maioria dos imigrantes desta família lá se estabeleceu, e após seus descendentes imigraram para outras regiões de São Paulo, e em outros estados brasileiros, principalmente o oeste do Paraná.
Além da Capital, encontramos famílias com este sobrenome, em Americana, Américo Brasiliense, Amparo, Araçatuba, Ariranha, Assis, Atibaia, Bacaitava, Bauru, Bebedouro, Botucatu, Campinas, Candido Mota, Catanduva, Corumbataí, Cotia, Diadema, Dracena, Florínea, Franco da Rocha, Gália, Garça, Guabiroba, Guarujá, Guarulhos, Igarapava, Ituverava, Jaú, José Bonifácio, Jundiaí, Lençóis Paulista, Lins, Marília, Mauá, Osasco, Ourinhos, Palmital, Paraguaçu Paulista, Pindorama, Piracicaba, Pitangueiras, Praia Grande, Presidente Bernardes, Presidente Prudente, Primavera, Ribeirão do Sul, Ribeirão Preto, Ribeirão Pires, Santa Adélia, Santa Bárbara do Oeste, Sales Oliveira, Santo André, São Bernardo do Campo, São Carlos, São José dos Campos, São José do Rio Preto, São Manuel, São Paulo (Capital), Sorocaba, Tatuí, Taubaté, Tupã, Uchoa, Vinhedos, Votorantin, São João do Pau D’Alho, entre outras.

De São Paulo, recebo a mensagemde Luiz Antônio: Contava o meu falecido pai, após a cidade de Tatuí onde nasceu meu avo. Porem ele comentava que alem de São Manoel, Botucatu e Tatuí, que parte da família foi para o sul do Brasil, parte para as Minas Gerais. E o meu avo se fixou em Duartina próximo a Bauru, que deste hoje, estão espalhados em Bauru, Duartina, São Paulo, Campinas, eu em Valinhos, São Bernardo dos Campos, São Caetano, Ribeirão Pires etc.
Eu fiquei muito feliz em ver seu trabalho.
Estou transcrevendo a minha ascendência, talvez ela cruze com os nomes que você já possui.
Tratará Avos; João Batista Roratto / Angelina Roratto e
Antonio Caleguessa / Santa Caleguessa
Bis avos; Luigi Roratto / Antonia Caleguessa e
Luigi Dall`Ácgua / Lucia Luisotto`
Avos; Luigi Roratto / Amabile Dall`Ácgua
Pais; Armando Roratto / Cicília Simonsini Roratto
Diz Luiz Antonio: Os gregos dividem o amor em quatro palavras uma delas é Stórge que é o amor família o amor do sangue, e eu considero você um homem iluminado e talentoso, justamente em stórge.

Em contato com Giovana Carla: Sou filha de Carlos Alberto Rorato, neta de Antenor Rorato e bisneta de Pedro Rorato.Moro em Guariba, interior de São Paulo, meu pai é natural de Igarapava-SP e o pai dele de Delta-MG já o bisavó não sei ao certo. Diz que vai buscar mais informações.
Também um grupo de SP foi para Minas Gerais, na Capital, Belo Horizonte e na região de Conquista (Guaxima) , Delta e Sacramento. Posteriormente, alguns retornados a SP.
De Uberaba, Claudio, diz: e estou a procura da certidão de nascimento do meu Bis-Avô que se chama "Pietro Rorato" filho de "Florindo Rorato”, se por acaso souber de alguma coisa, por favor, me contate assim que possível. Sendo que só falta esta certidão para tirar a cidadania Italiana. Se por acaso eu puder ajudar também em alguma coisa estarei à disposição. Muito abrigado pela sua atenção ficarei aguardando noticias. Um abraço. 18 de julho de 2005. Cláudio Galeno.
Fora do país - Alguns foram mais longe. Poucos, mas deixaram o Brasil e foram em direção ao Uruguai, em Rivera e Montevidéu.
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